7 de julho de 2012

Lucas, 'Não tem como dizer que fico aqui até a Copa'



Atacante não fecha as portas para transferência, mas diz estar feliz, elogia Ney Franco e se cansa de comparações com Neymar
Queridinho da mídia internacional, apontado como um dos maiores talentos da sua geração, Lucas embarca na segunda-feira para Londres e uma boa campanha na Olimpíada pode aumentar ainda mais o assédio da Europa. Em entrevista ao Estado, o meia admite que fica balançado com as propostas e não descarta deixar o clube antes da Copa de 2014, mas garante que está feliz e comemora a contratação de Ney Franco, seu técnico na seleção sub-20.
Em menos de duas semanas, você foi aplaudido, vaiado e aplaudido de novo. Consegue entender essa montanha russa?
É complicado, né? Mas futebol é assim, fui bem contra o Cruzeiro e não acho que joguei mal no Couto Pereira, mas infelizmente o resultado não veio e temos que entender que existe um time do outro lado que também está brigando. A torcida é emoção e falamos de um clube que está sempre conquistando títulos, isso acabou pesando bastante para o que aconteceu.
Você diz que sabe do status que atingiu. Como você se vê?
Nem um ídolo, nem uma promessa. Eu me considero uma realidade, um jogador que ama o clube que defende, onde fui projetado para o futebol e consegui uma melhor condição de vida. Sempre entro em campo pensando nisso e em me divertir, jogo por prazer. Ainda falta um pouco para ser um ídolo.
Um título ajudaria a subir de patamar?
Um título deixa o currículo mais recheado, é o topo. Tenho certeza de que se eu conquistasse um título eu já teria um status maior, mas infelizmente ainda não veio. Estou trabalhando duro, mas não depende só de mim, é um esporte coletivo.
Algumas pessoas insistem em te comparar ao Neymar. Isso te incomoda?
Não me incomoda, mas dá uma cansada porque não gosto de comparações e cada um tem seu estilo e características diferentes. É a mesma coisa que comparar um atacante com um zagueiro, mas às vezes as pessoas fazem por sermos da mesma geração. Entendo quando acontece, mas não gosto muito.
Seu nome é vinculado a diversos gigantes europeus. Tem como não ficar balançado?
Eu penso, sim, você abre a internet e está lá que a Inter, o Real Madrid e não sei mais quem vai vir me buscar e trazer um caminhão de dinheiro... claro que você fica pensando. Mas não deixo isso subir à minha cabeça, sou bem tranquilo e pé no chão com relação a isso. Meu papel é jogar bola para que esses clubes continuem a se interessar.
Então dá para dizer que você fica aqui até 2014?
Não tem como confirmar, até porque está muito longe e ninguém sabe o dia de amanhã. Estou muito feliz no São Paulo e quero recolocar o clube de volta na Libertadores e conquistar títulos. Não tenho essa loucura de sair. Quando estiver na hora, vou sentar com minha família e ver o que é melhor para mim. Enquanto estiver sentindo que meu lugar é aqui, não tenho problemas em continuar.
Qual a sensação de estar garantido para a Olimpíada?
Fiquei muito feliz com a convocação, foi o ponto mais alto da minha carreira. Para mim é uma honra enorme representar o país na única competição que nunca fomos campeões. Sempre passa aquele filme de tudo o que passou na minha carreira, o esforço que fiz para chegar até aqui. Agora vamos brigar por esse título, para conquistar essa medalha de ouro que sabemos que é o que a população tanto deseja.
Quando voltar, terá o Ney Franco como treinador. O que achou?
Tivemos uma convivência maravilhosa com ele, o São Paulo acertou em cheio. É uma grande pessoa, tem um excelente caráter e é um ótimo profissional e é muito fácil de lidar com ele. Espero reeditar com o mesmo sucesso aqui o trabalho que tivemos juntos na seleção.
Fernando Faro, Uol / Reprodução: Sempre Tricolor

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