Torcedor de verdade do São Paulo não tem o direito de humilhar seu maior ídolo…
Cabisbaixo, abatido, derrotado.
Nem parecia ser o maior jogador de todos os tempos do São Paulo.
São oito gols sofridos em cinco jogos no Brasileiro.
Com direito a um contra ontem, de forma bizarra.
Ao tentar cortar um dos muitos cruzamentos do Náutico, saiu para socar.
Mas errou o tempo da bola e o seu murro a fez subir e cair no próprio gol.
Nas redes sociais as críticas de torcedores são pesadas.
Não há o menor respeito.
Insistem que aos 39 anos ele deve ser aposentado.
Repetem que não tem mais reflexos, joga pelo nome.
Clamam por Denis.
E ultrapassam os limites dizendo que se é mesmo são-paulino deveria parar de jogar.
Questionar se Rogério Ceni é são-paulino é inaceitável.
Não há qualquer torcedor e de qualquer time que tenha o direto de duvidar do seu amor ao clube.
Ninguém na história do São Paulo deu maiores demonstrações de empenho, de dedicação do que ele.
São mais de 22 anos de clube.
Passou dos mil jogos com a camisa tricolor.
Marcou 104 gols.
O primeiro a chegar aos treinos e o último a ir embora.
Conseguiu antecipar o tempo de retorno de todas as suas contusões.
Agora, volta de uma muito problemática para qualquer goleiro.
Uma intervenção no ombro direito.
Provavelmente com origem no excesso de treinamento.
Mesmo assim, Ceni foi bravo e enfrentou a cirurgia e a dolorida fisioterapia.
Poderia voltar ao time em um momento mais calmo.
Esperar se Ney Franco dará certo ou não no clube.
Poderia, se não fosse quem é.
Juvenal Juvêncio foi uma das centenas de pessoas que pediram sua volta.
O inseguro time precisava de alguém de personalidade.
E o capitão voltou.
Foi considerado o responsável pelo retorno da confiança na goleada por 4 a 1 contra o Flamengo.
Veio a Sul-Americana, e o 104º gol cobrando falta na vitória contra o Bahia.
Aplausos, gritos histéricos, declarações de amor, filhos batizados como Rogério.
Veio a vitória sofrida contra o Sport.
1 a 0 com a equipe jogando só para o gasto.
Aí, a derrota e a primeira falha feia.
O Fluminense no Rio venceu por 2 a 1.
Mas ficou marcado o primeiro gol carioca.
Thiago Neves levantou a bola da intermediária.
E Ceni saiu afobado e atrasado e Leandro Euzébio cabeceou para o gol vazio.
O clima já começou a pesar.
O jogo que deveria ser de recuperação aumentou ainda mais a sensação de crise.
Em pleno Morumbi, o Grêmio venceu o São Paulo por 2 a 1.
De virada.
Com direito a tomar gol de Werley em escanteio cobrado na pequena área.
Rogério ficou estático, parado em cima da linha, quando deveria ter ido para a bola.
E, no segundo, viu André Lima marcar no final da partida após Kléber ajeitar de cabeça dentro da pequena área.
Gol aos 46 minutos do segundo tempo.
Todos os jogadores saíram vaiados.
O capitão Ceni já não foi poupado.
Até que veio o desastre de ontem contra o Náutico.
Rogério Ceni fez o possível nos dois primeiros gols.
Até acertou o canto direito onde Kieza cobrou o pênalti.
E conseguiu defender o chute de Rhayner, mas a bola sobrou para Araújo.
Até que veio o escanteio que Souza, o melhor em campo, cobrou.
O soco de Ceni para o próprio gol.
E o massacre dos torcedores.
Ceni tem crédito demais para ser assim tão humilhado.
Não é justa.
Chega a ser estúpida essa pressão contra o jogador de maior personalidade do time.
O São Paulo de Ney Franco até agora é uma enorme decepção.
O técnico não consegue montar esquema tático convincente.
A marcação continua frouxa e os meio-campistas jogando distante do ataque.
Falta também qualidade.
Lucas estava ontem na seleção brasileira perdendo seu tempo, jogando de ponta esquerda.
E Luís Fabiano em mais uma das suas inúmeras contusões.
Quando não está machucado, está suspenso.
Sua volta por R$ 20 milhões tem sido de uma inutilidade impressionante.
Juvenal conseguiu mais de R$ 100 milhões para o PSG.
Mas já avisou que vai usar o dinheiro para pagar parte da cobertura do Morumbi.
Enquanto isso toda a culpa cai em Rogério Ceni.
O maior jogador da história do São Paulo é tratado sem a menor consideração, apoio.
A hora do torcedor apoiar é agora.
Não quando está dando tudo certo.
É obrigação do são-paulino dar força, retribuir a tudo que Ceni já fez pelo clube.
Ele está empenhado na sua última luta.
Fazer o São Paulo se classificar para a derradeira Libertadores de sua carreira.
Com a torcida do próprio clube o humilhando ficará muito difícil.
Depois, ninguém venha chorar quando ele encerrar sua carreira.
A hora de aplaudir Rogério Ceni é agora.
Por que além do arrependimento virá um sentimento dolorido que incomoda qualquer palmeirense.
A sensação de se tornar órfão.
Foi assim no Palestra Itália em relação a Marcos.
A torcida do São Paulo não tem o direito de tornar amargos os últimos momentos de Ceni como goleiro.
A arte de amar o seu time é incentivar quando as coisas estão dando errado.
Levante essa cabeça, Rogério...
Cosme Rímoli, R7 / Sempre Tricolor

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