31 de agosto de 2012

Marco Aurélio Cunha: “Eu tenho um clube que me espera”

Ex-dirigente do São Paulo tem esperanças de retornar ao clube como presidente

Ex-dirigente tricolor, Marco Aurélio Cunha culpa supervalorização da base pelos anos sem títulos do São Paulo e diz ter apoio da torcida para voltar como presidente

Ex-dirigente do São Paulo tem esperanças de retornar ao clube como presidente

Você saiu do São Paulo no início de 2011 alegando que não era mais ouvido. O que havia de errado na gestão do clube?
O São Paulo perdeu o rumo contratando treinadores em sequência. Carpegiani, Adílson, Leão… Nenhum deles tinha perfil parecido. A culpa não é só do Juvenal [Juvêncio]. A diretoria que o cerca tem vaidade, visão de poder, de querer mandar. O clube abriu mão de uma comissão técnica vitoriosa, com o Turíbio [Leite de Barros, fisiologista], o Carlinhos Neves [preparador físico] e eu. Essa comissão tinha conhecimento, poder de resistência. De rebater, não digo ordens, mas “sugestões” da presidência.

As ingerências de Juvenal no time atrapalham o ambiente?
O presidente Juvenal, quando diretor de futebol, tinha o mesmo comportamento. Era um sujeito que ia lá e dava um cavalo para o Souza. Na época antiga, brincava com o Careca e dobrava o bicho no vestiário. Mas ele fazia futebol, e não política de clube. Focado no futebol, você é aceito pelo grupo, como eu era, no sentido de sugestões e diálogo. Não havia conflito.

Casos como o veto ao zagueiro Paulo Miranda eram comuns?
Muitas vezes eu vi, com o próprio Muricy [Ramalho] e com outros treinadores, aquela conversa de mesa em que o Juvenal dizia: “Estou achando tal jogador falho…” Ele é o presidente, tem de opinar. Mas dizer “sai ou entra” extrapola os limites. É imposição.

Juvenal afirmou que seria um bom técnico para o São Paulo…
Isso foi uma bobagem do Juvenal. Profissionalmente, eu estou há mais de 30 anos no futebol. Convivi com grandes treinadores. Mas nenhum dirigente sabe dar treino. O treinador é quem ensina o jogador. Eu jamais poderia ser técnico. O presidente Juvenal também não.

“Com a estrutura do São Paulo, cria-se o jogador ‘filhinho de papai’: bem tratado, mas mal-acostumado. Eu me lembro de garotos exigindo lugar na equipe principal, como se fosse fácil”

O que mais o contrariou em seus últimos dias de clube?
Antes da saída do Ricardo Gomes, era o momento de rever conceitos, não de arriscar com um treinador da base [Sérgio Baresi] só porque ele ganhou uma Copa São Paulo, nos pênaltis. Foi como entregar a direção de um hospital a um médico residente, para criar uma nova fase, dos “meninos de Cotia”. Ninguém é mais favorável ao CT de Cotia que eu. Talvez seja a maior obra do São Paulo depois do Morumbi. Mas a gestão de pessoas lá nunca foi adequada.


A diretoria está certa em segurar o Lucas e exigir o cumprimento do contrato?
O Lucas está na linha de Ganso e Neymar, dos fora de série que surgem no futebol brasileiro. Mas, no São Paulo, ainda há resistência em valorizar o jogador e fazer renovação antecipada. Por isso o Miranda foi embora de graça após o fim do contrato. Não posso concordar que isso tenha sido certo.

Você faz planos para voltar ao São Paulo?
Eu ouço isso todos os dias na rua, de torcedores e amigos: “Quando você volta?” Eu volto o dia que quiserem. Jamais forçarei minha volta.

O retorno passa pela presidência do clube?
O tempo vai dizer… Eu não antecipo que vou ser candidato a presidente porque seria desrespeito com gente que tem a mesma vontade. Mas resumo em uma frase: “Eu tenho um clube que me espera”.

SPFC Web / Placar

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