10 de outubro de 2012

Entrevista com Denilson



O que tem de especial para fazer todos os jogadores irem abraçá-lo no símbolo do São Paulo?
Não tem nada de especial, não (risos). É o carinho de todos os jogadores. Fui criado aqui no São Paulo, saí com 18 anos, voltei no ano passado. Tive um ano complicado com expulsões e este ano dei a volta por cima. Então, é por essas coisas, por tudo que já se passou comigo aqui, as pessoas têm um carinho. Sempre me dediquei ao máximo aqui no clube, sempre sonhei e voltei para cá com duas coisas na cabeça: quero ser campeão e pretendo fazer um gol pelo profissional e, graças a Deus, fui presenteado contra o Palmeiras. E a homenagem foi para a minha mãe. Minha mãe sempre falava que queria me ver um dia jogando pelo São Paulo e que iria fazer um gol. Quando meu pai me disse isso, falei que subiria no símbolo para dedicar a ela, que está no céu. Naquele momento em que fui comemorar, todos os jogadores foram lá me abraçar e isso é uma gratificação muito grande para mim. 

Ela não teve tempo de contar para você esse sonho dela?
Não, ela não teve a chance de me falar. Ela falava para as amigas dela. Quando minha mãe morreu, eu tinha dez anos de idade. Quando morreu, dia 6 de janeiro, um ano e um mês depois, no dia 8 de fevereiro de 1999, já fui chamado para estar na base do São Paulo. Então foi uma coisa de Deus, uma coisa que me deixou muito triste, mas outra coisa que acaba nos levantando. Enfim, o carinho que tenho pelo São Paulo é tudo do passado, da minha família, todo mundo são-paulino, meu pai, minha mãe, meus irmãos, todo mundo. E eu criei esse carinho aqui dentro.  

O que mudou a partir do momento em que ela faleceu?
Mudaram muitas coisas. Quando você perde uma pessoa que ama, muitas coisas mudam. Se ela estivesse viva hoje não sei se eu seria o Denilson que eu sou hoje, não sei se eu seria o Denilson do São Paulo hoje, eu não sei. Sei que perdi ela desde pequeno e até hoje faz falta. Às vezes, fico em casa sozinho e começa a passar muitas coisas na cabeça, de quando brincava, às vezes chegava até a cantar música para ela. Essas recordações boas que tenho na mente. E isso me ajuda, sim. Minha mãe e meu pai são as minhas motivações. São as pessoas mais importantes para mim. Quando estou chateado, procuro pensar nos dois e isso me fortalece.  

Se dependesse só de você, já renovaria seu contrato?
Exatamente, mas não sei se isso vai ser possível. Eu não sei se o Arsenal vai querer que eu volte. Talvez queira que volte de qualquer maneira. Vai depender da diretoria. Deixo isso para eles resolverem com o meu advogado. Vou focar só no meu trabalho aqui.

Entrevista publicada no Lance!Net

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