Foi um dos gritos mais engasgados no gogó tricolor nos últimos tempos. Quando o camisa 01 Rogério Ceni deslocou Victor e marcou de pênalti o gol 111 na carreira, aos 11 minutos do segundo tempo, a garganta são-paulina desentalou o Galo.
O urro no Morumbi foi de arrepiar. Como a celebração ajoelhada de Rogério. Como a comunhão tricolor para vencer o ainda melhor time da competição. Ainda um Galo bom de bola e de briga. Que vai continuar como um dos maiores favoritos ao título. Mas que, agora, terá a companhia indesejada do tricampeão sul-americano na próxima fase. Em um mata-mata equilibrado como foi o clássico no Morumbi.
Jogo de apenas duas oportunidades no primeiro tempo. O são-paulino só celebrou nos 45 minutos iniciais o gol do Arsenal de Sarandi, aos 29. Gol na Argentina que facilitou a vida tricolor. “Bastava” um gol paulista. Como se fosse fácil vencer a defesa do ótimo Réver… Tarefa dificultada por um Atlético que também não criou muito. Apenas duas chances mineiras. Mas não concedeu oportunidade alguma ao São Paulo no primeiro tempo. Tricolor que viveu de Osvaldo até a metade do primeiro tempo, quando Serginho deixou de ser o meia pela direita no 4-2-3-1, e passou a marcar o ótimo atacante paulista, com Marcos Rocha adiantado no cerco a Carleto.
Os 50 mil presentes (muitos atleticanos) não celebraram o primeiro tempo mais marcado e nervoso que outra coisa. Mas, na volta para a segunda etapa, Ney Franco foi mais feliz. Trocou os lados de Osvaldo e Douglas. Colocou o atacante da Seleção para cima do já amarelado (e sempre enervado) Richarlyson, enquanto Cuca escalou o mano Alecsandro no comando de ataque, com Jô pela esquerda fazendo a função que Luan pouco realizou no primeiro tempo.
O São Paulo cresceu. E com Osvaldo fez belo lançamento para Aloísio dominar e ser derrubado por Leo Silva. Era para vermelho para o zagueiro atleticano. Foi só amarelo. Mas foi só Rogério chegar com a sua camisa azul celeste na grande área para o Morumbi soltar aquele gol engasgado. Aquele gol que a má campanha na primeira fase parecia fazer improvável. Aquele gol que a excelente campanha atleticana parecia impossível.
Mas era Rogério. Era São Paulo. Era Morumbi. Um a zero.
Não era mais o São Paulo que se complicou sozinho contra frágeis Arsenal e The Strongest. São Paulo que errou muito fora e dentro de campo. Com falhas esperadas de atletas fracos. Com erros inesperados de mitos como Ceni e Luís Fabiano.
Mas ainda era preciso ter fé para o são-paulino. E esperar o Galo que veio pra frente. Cuca foi abrindo a equipe. Aos 36, cinco minutos depois de entrar em campo, Ademilson recebeu belo passe de Osvaldo, que recebera passe preciso de Ganso.
Dois a zero para o tricampeão da Libertadores.
Dois a zero era goleada para o São Paulo pela excelência do rival. Mas não é nada por tudo que o Tricolor já fez em 1992. Em 1993. Em 2005.
E pode repetir em 2013 se a torcida encher o estádio e não a paciência dos que jogam. E pode ir além se o time também não apoquentar a torcida com partidas atrapalhadas ou sem brio.
O São Paulo voltou a jogar com vontade. Ainda não tão bem quanto possível. Mas já é possível ver algo que parecia perdido.
O Atlético perdeu um jogo que se pode perder. Não pode mais perder a tranquilidade e serenidade que teve em boa parte do jogo e na grande campanha inicial. Quando Ronaldinho não foi o fantasma que se transformou no segundo tempo. Quando alguns ectoplasmas podem atrapalhar a campanha mineira.
Por vezes, a história pesa demais contra.
Ou, no caso do vencedor, pesa muito.
Como pesou.
Como gritou.
Como o São Paulo voltou a ser o São Paulo que merece mais que respeito.
Nos últimos anos, independente do time que veste essa camisa, e este tem suas limitações sem Jadson e Luís Fabiano (como também fizeram falta Bernard e Diego Tardelli do lado atleticano), é camisa para virar expectativas e certezas.
Mas é preciso escrever que tem mais um brasileiro nessa história.
E que história.
Mauro Beting.
Lance!

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