"Repórter 1: Estamos todos no mesmo barco.
Repórter2: “Eu estou no barco. Você está na água. Agora, veremos como você conseguirá nadar"
Ou:
"Más notícias são as que mais vendem"
Ou ainda:
“Se não houver notícias, vou lá fora e mordo um cachorro”.
Estas frases fazem parte do esplêndido “A Montanha dos Sete Abutres” (1951), uma das obras-primas do gênio Billy Wilder. Trata-se de uma ácida crítica ao jornalismo sensacionalista e a quem o consome.
Não se trata sobre futebol. Mas é uma verdadeira lição de como a imprensa pode ser perigosa, um exemplo contundente de que não é apenas paranóia.
Vale citá-lo para fazer um paralelo com a (enojante) mídia esportiva.
O torcedor comum é passional por natureza. E é normal que os jornalistas também sejam torcedores.
Mas é inaceitável que jornalistas ajam como torcedores.
Dar favoritismo a determinado time, ou até mesmo mais atenção enquanto este viver uma boa fase, é normal também. E o torcedor em si também tem de reconhecer as limitações e problemas internos de seu time do coração, ou uma eventual fase superior de rivais.
Mas ter um “queridinho intocável” e deixar o futebol em si para segundo plano deveria ser intolerável. Exibições maciça do escolhido; apontar erros de arbitragem somente quando estes ocorrem com o escolhido; editar informações conforme conveniência; ridicularizar ídolos de outros clubes; narrar de forma pretenciosa; esconder maracutaias etc. Enfim, tratam Time 1 como o Golias, e Time 2 como o Davi (apenas esquecem que Davi quem se saiu vencedor).
Esta imprensa tendenciosa tem um escolhido e quer transformá-lo no supra-sumo do futebol brasileiro, um time imbatível, revolucionário, ultra-poderoso. E os outros, enjeitados, pobres coitados que existem somente para figuração.
E não adianta confrontá-los. Esfregarão seus diplomas em nossos rostos, mesmo que ética e profissionalismo não façam parte de suas condutas.
A imprensa acredita que nós, consumidores, somos manipuláveis. Nos vê com intelectos inferiores e incapacitados de ter opiniões próprias.
Os queridinhos desta mídia se esquecem, no entanto, que o mundo sugará suas energias enquanto estas durarem. Depois, o abandonarão. Enquanto o clube escolhido der audiência, será assim.
Os demais clubes deveriam tomar posição. Isso está chegando a um nível alarmante. Há interesses escusos. Não é teoria da conspiração. Veja como tratam mal ou enjeitam seu time, e como defendem outros. Veja o nível de muitos comentaristas famosos (mesmo que desprestigiados) por aí que devemos nós, então, tomar atitudes. Seja se manifestando. Seja boicotando. Eles querem apenas números frios. Não se importam se o público gosta do que vê.
Vale ressaltar que há a parte digna, profissional. Aquela que trabalha com seriedade e respeito. Esta, sim, deve ser prestigiada e valorizada.
Fica aqui meu manifesto contra esta podridão. A imprensa B deve saber que temos inteligência e personalidade. E que, ao contrário do que querem pregar, amamos nossos times muito além de suas pretensões asquerosas.

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