24 de setembro de 2013

Entrevista com Rodrigo Caio

UOL Esporte: Você nasceu em Dracena e deixou a cidade para ser jogador do São Paulo. Como isso aconteceu? Quantos anos tinha?
Rodrigo Caio: Comecei a jogar com sete anos de idade em uma escolinha, em Dracena. Desde então meu sonho sempre foi jogar no São Paulo, porque sou são-paulino desde criança. Era o sonho do meu pai, que é são-paulino roxo. Até que surgiu um peneirão do São Paulo em Dracena. E eu fui fazer, tinha de dez para 11 anos. Eles gostaram de mim e de mais quatro jogadores. A gente veio fazer testes, passei no primeiro, segundo e terceiro. No quarto, eles disseram que queriam que eu ficasse alojado em Cotia. Aí aceitei.
UOL Esporte: E foi simples? O que seus pais disseram quando você disse que queria?
Rodrigo Caio: Foi muito difícil no começo. Coloquei na cabeça que era o que eu queria, perder uma infância de diversão para assumir uma responsabilidade. Arrisquei. Meu pai me dava um pouco mais de apoio. Não que minha mãe não desse, mas é aquela coisa de mãe. Ela queria ter o filho ao lado dela. Mas foi se acostumando. Ela é professora, e naquela época teve que vir dar aula em Itapevi (a 35 km da capital). Então ela ficou mais próxima. Não tanto quanto ela gostaria, mas pôde ter mais contato comigo.
UOL Esporte: Você já deve ter ouvido comentários que o chamam de "mauricinho", "mimado". Como era a vida da sua família antes de você se profissionalizar? Tinham casa própria, conforto?
Rodrigo Caio: Não, totalmente diferente. Olha para minha cara, acha que eu era uma pessoa assim? Não. Quando saí da minha cidade, meu pai era comerciante, tinha um mercado e a única coisa que falei para ele foi: "Pai, no primeiro contrato que eu fizer eu vou te tirar desse mercado". O pouco dinheiro que a gente tinha ia todo para lá, e só ferrava com a nossa vida. Minha mãe era professora, mas a gente não tinha casa própria, nem nada. Nessa época de Itapevi a gente foi até morar com minha avó, porque nossa casa em Dracena era grande e a gente pagava um aluguel muito alto. O que me fortaleceu sempre foi querer melhorar a vida dos meus pais.
UOL Esporte: E por que acha que é visto por alguns dessa maneira, como mimado?
Rodrigo Caio: É pela fisionomia. Não sou assim. Longe disso, tudo que consegui foi no meu esforço. Não foi nada fácil. Saí com 12 anos da minha cidade e com 15 anos tive uma lesão absurda no joelho direito. Fiquei dez meses parado, estourei a rótula, me disseram que eu não iria jogar mais futebol. Eu estava muito bem, tinha acabado de assinar contrato. Foi muito difícil. Muitas pessoas falam sem saber o passado, sem saber como você surgiu e sem saber como conseguiu tudo.
UOL Esporte: Você chegou a sofrer preconceito nas categorias de base por ter pele clara, cabelos lisos e pelo nome?
Rodrigo Caio: Acho que sim, um pouco. Quando você chega num clube grande, sempre tem os jogadores da casa, conhecidos pelos técnicos. Você chega lá e o pessoal diz "você não vai ser melhor que ele". Mas é trabalho. Você supera na bola.
Entrevista do site UOL, com reprodução do 1935 Soberano.

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