Jogar no Morumbi nunca foi tão difícil. Além da fase, o
São Paulo teve que enfrentar uma tarde inspirada de Dida e outra atuação da
catástrofe ambulante chamada Héber Roberto Lopes.
A escalação do São Paulo, mesmo com algumas divergências
à minha opinião, não estava ruim. Rogério; Paulo Miranda, Toloi, Antônio Carlos
e Reinaldo; Rodrigo Caio, Wellington, Ganso e Jadson; Luis Fabiano e Osvaldo, é
um time que chega próximo ao limite do elenco.
No primeiro tempo só deu São Paulo. Foram poucas chances
reais de gol, mas a posse de bola para os lados do time do Morumbi chegou à
casa dos 60%. Dida trabalhou extremamente bem quando precisou, mas a pontaria
da linha ofensiva do São Paulo não ajudava. Logo no início do jogo, Pará deixou
o braço no rosto de Osvaldo, que saiu sangrando. Nem falta o juiz assinalou. Ao
fim da etapa inicial, Kleber, já amarelado, matou um contra-ataque segurando os
pés de Douglas. Nada de cartão.
Toloi, com uma contusão muscular, deu lugar ao esforçado
Douglas, levando Paulo Miranda para a zaga. Para mim, o primeiro erro do
gigantesco Muricy Ramalho.
Perdemos a força ofensiva pelo lado direito do campo, já
que Paulo Miranda vinha extremamente bem por lá. O São Paulo centralizava o
jogo nos pés do maestro Paulo Henrique Ganso. Outra partida sensacional do
camisa 8.
No segundo tempo, nenhuma modificação. A pressão
continuou e aumentava a medida que os ponteiros giravam. O gol parecia certo e
próximo. Era questão de tempo.
Luis Fabiano recebeu um cartão amarelo por deixar o braço no rosto do adversário. Justíssimo.
Mas volte ao terceiro parágrafo desse texto. Onde está o critério?
Sem criar muito na partida, mas não pior do que Osvaldo,
Jadson deu lugar ao famoso Boi Bandido. Aloísio era a esperança são paulina.
Quando o jogo se desenhava totalmente a favor do São
Paulo, falta frontal. Bressan esqueceu a bola e correu de encontro ao corpo de
Aloísio com o braço no peito do atacante. Lance de possível expulsão, mas era
aceitável apenas o cartão amarelo. Na cobrança, Reinaldo bateu bem na bola e
Kleber, que já tinha cartão amarelo e poderia ter sido expulso ao fim do
primeiro tempo, colocou a mão na bola. MÃO NA BOLA! O juiz, de frente pro
lance, não marcou absolutamente nada.
Poucos minutos depois, Alex Telles recebeu uma bola no
fundo e cruzou. Vargas calou o Morumbi com um golaço de cabeça. Falha no miolo
de zaga do Tricolor Paulista. Foi um balde de água fria no time e na torcida do
São Paulo, que se calou no estádio. Os mais de 40 mil pagantes não acreditavam
no que viam.
A pressão continuou, mas sem a mesma intensidade. O
físico não deixava o time ter forças para se recuperar. Inúmeras chances foram
criadas, mas o São Paulo esbarrava na falta de pontaria, sorte e no goleiro
Dida.
No último lance do jogo, Ganso cobrou escanteio,
Wellington desviou no primeiro pau e Antônio Carlos se esticou ao máximo para
marcar. A bola pegou na ponta de sua chuteira e passou a, no máximo, dez
centímetros da trave esquerda do gol.
Definitivamente não era o nosso dia. Foram dezesseis
finalizações são paulinas contra cinco gremistas. E assim o jogo acabou. A
superioridade imensurável da equipe paulista não foi refletida no placar. A
maior injustiça do campeonato. O melhor jogo da equipe.
A tarde em que Dida e, principalmente, Héber Roberto
Lopes venceram o melhor São Paulo do campeonato.
Melhor em campo pelo lado paulista: Paulo Henrique Ganso.
Pior: Osvaldo, o nulo.
Muricy: Pior jogo desde sua volta. Escalação aceitável,
modificações ruins.
Arbitragem: Dispensa comentários. Pior do ano.
Definitivamente contra o São Paulo.

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