Nem passou
pela minha cabeça o pênalti convertido contra o Flamengo no último jogo. E não quero
nem pensar naquele período negro, em que ficamos mais de dez jogos sem vencer.
E menos
ainda quero pensar que não verei mais sob as traves um dos maiores ídolos da
minha vida. Um jogador lendário – infelizmente, não reconhecido pela mídia
clubista, mas, por outro lado, venerado por quem mais importam – que talvez
esteja quase em extinção.
Eu não pediria
que a mídia louvasse Rogério Ceni. Mas que o respeitasse. Vejo alguns “jornalistas”
ridicularizando os são-paulinos por idolatrarem-no. E como não venerar um
jogador que honra a camisa como poucos, que tem apreço real pelo clube, que tem
uma trajetória de duas décadas, inúmeros títulos, talento, liderança, dedicação
árdua e tanto mais? E se ele “manda” nos bastidores, é porque seus feitos o
permitiram. E outros até colocam em cheque seu caráter, sem provas. Hum... Mas
o que esperar de uma imprensa que quer fazer de seu queridinho um “Barcelona
das Américas” cujos vestiários são como um monastério tibetano onde crises
jamais se instalam?!
Se pecou
com a bola nos pés, Rogério continua em plena forma em sua principal função. E isso
é o que importa. Ele já fez tudo o que alguém poderia ter feito por um único
clube – não precisa provar mais nada. Ele torce e vibra como um de nós.
Passado
o susto em meados de 2013, podemos ter, por ora, mais esperanças para 2014. Se Muricy
de fato ficar, muito já está resolvido. Basta a diretoria fazer um bom
planejamento. E as eleições para próximo presidente se aproximam. Não vejo –
como mera torcedora – por que RC não deva ficar mais um ano: ele está fazendo
belíssimas defesas, com bom reflexo e está em plena forma.
Por outro
lado, sou contra endeusar os ídolos. Muitos os colocam em um patamar
inatingível, como se fossem sobre-humanos e imunes às críticas. Qualquer ser
humano está propenso à erros – e, portanto, críticas. Reconhecer erros, dar
puxões de orelha – desde que com lucidez e apoio – não significa que não deixamos
de amar ou que tenhamos nos esquecidos de uma trajetória bem-sucedida. Há, sim,
críticas positivas, que alertam! E se errar, errou! Bola para frente, e continue
lutando. E isso vale para qualquer um. O apoio será incondicional. Nada mudará
isso.
Ídolo nenhum
é maior que o clube. O São Paulo FC está acima de todos, e é para tal que
torcemos. Entretanto, é plenamente normal admirar profundamente aqueles que
estão atrelados à história da instituição e que trouxeram glórias à ela.
Mas isso,
obviamente, é uma decisão que cabe apenas à Rogério. Ele tem de se sentir bem
psicológica e fisicamente, tem de estar disposto. Qualquer decisão que ele tome
deverá ser respeitada. Apenas ele sabe o que está sentindo. Se ele estiver
fazendo outros planos, que siga seu objetivo e que seja muito feliz. E se se
aposentar, um ciclo vitorioso terá se fechado (e, oxalá, com o bi-campeonato
sul-americano). Jamais nos esqueceremos de Ceni, e direi, daqui anos,
orgulhosamente, que o vi jogar, que testemunhei sua passagem. E também não quero
vê-lo terminando de forma melancólica. Se peço para ele ficar, é porque
acredito que ele ainda tem a acrescentar. E se não quiser, já está eternizado. Mas
faço coro à maioria da torcida, especialmente pelos gritos ouvidos “Renova,
Mito!”.

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